Ah, a escolha entre uma bagunça corporativa e uma alucinação digital. Jon Favreau em Homem de Ferro 2 parece ter recebido a ordem de "faça um filme que prepare 17 outros filmes" e obedeceu com uma direção que mais parece um PowerPoint apressado, jogando informações e personagens sem muito carinho, resultando num tom que oscila entre a autoindulgência de Tony Stark e a urgência fabricada. Já Scott Derrickson, em Doutor Estranho, teve a decência de focar na espetacularidade visual, transformando a tela num caleidoscópio psicodélico que, embora recheado de clichês de origem, pelo menos não insulta a inteligência do espectador tentando vender ações da Stark Expo a cada cinco minutos.
Para qual 'vibe' cada um serve? Homem de Ferro 2 é ideal para aquele momento em que você precisa de um ruído de fundo enquanto limpa a casa ou responde e-mails tediosos, algo que você pode ignorar por 10 minutos e ainda entender 90% da trama. É o filme perfeito para quando você já está desiludido com a vida e só quer confirmar que o entretenimento mainstream também pode ser. Doutor Estranho, por outro lado, pede um ambiente mais... contemplativo. Tipo, quando você está com febre alta e as cores já estão distorcidas na sua mente, ou talvez depois de uma noite de insônia, quando a realidade já parece um conceito flexível. Ele é feito para ser *assistido*, mesmo que apenas pelos olhos.
Conclusão:Então, qual deles um crítico tão exigente quanto eu escolheria para desperdiçar meu tempo hoje? A decisão é fácil, ainda que amarga. Entre a indigestão narrativa de um e a previsibilidade visualmente estimulante do outro, eu fico com o que oferece, no mínimo, uma distração para os olhos. Doutor Estranho, com sua pirotecnia mágica, é a aposta menos dolorosa. Pelo menos, tem-se a chance de ver Benedict Cumberbatch fazendo poses estranhas em dimensões ainda mais estranhas, o que é marginalmente mais interessante que ver Tony Stark brigar com o governo e uma empresa russa simultaneamente.


