Olha, comparar Taxi Driver: Motorista de Táxi e Sangue Negro é como tentar decidir se prefere uma tempestade claustrofóbica em um beco escuro ou um terremoto monumental em uma planície deserta. São obras-primas, sem dúvida, mas com temperamentos radicalmente diferentes. Scorsese, em Taxi Driver: Motorista de Táxi, nos mergulha na podridão e no neon da Nova York setentista com uma câmera que se torna o olho febril de Travis Bickle. É visceral, com a linguagem visual sufocante, o monólogo interno paranoico de Schrader e a trilha sonora jazzística e melancólica de Bernard Herrmann, tudo converge para uma experiência perturbadora e íntima de alienação. Por outro lado, Paul Thomas Anderson, em Sangue Negro, constrói uma epopeia quase bíblica no deserto do oeste americano. Sua linguagem visual é expansiva, brutalista e meticulosa, capturando a paisagem tanto quanto o homem que a quer consumir. Com um roteiro mais contido nos diálogos, ele permite que a performance monumental de Daniel Day-Lewis e a trilha sonora dissonante de Jonny Greenwood criem um monstro épico da ambição. Se um é um soco no estômago em um táxi apertado, o outro é um esmagamento lento por uma plataforma de petróleo gigantesca.
Então, em que momento da sua vida você deveria encarar cada um desses? Se você está sentindo aquela pontada de desilusão com o mundo moderno, se as grandes cidades parecem labirintos de solidão e a hipocrisia social está te corroendo, Taxi Driver: Motorista de Táxi é o seu espelho distorcido. É um filme para as noites em que a insônia te convida a um mergulho na psique de um homem à beira do abismo, um convite para entender a fragilidade da sanidade quando a desconexão é a norma. É uma experiência catártica para quem se sente um observador à margem. Já Sangue Negro é para quando a sua alma anseia por uma narrativa grandiosa, quase mítica, que dissecasse a fundo a ganância, o capitalismo selvagem e a corrupção da alma. É o filme para um domingo contemplativo, quando você está disposto a se submeter a uma meditação densa sobre o que o poder e a ambição desmedida fazem ao espírito humano, sentindo o peso da história e da humanidade em cada quadro.















