Ah, a eterna batalha das adaptações de videogame! De um lado, temos Resident Evil: O Hóspede Maldito, a incursão original de Paul W.S. Anderson no universo dos zumbis. Anderson, um diretor que sabe exatamente o que seu público espera de um filme B de ação e terror, entrega uma linguagem visual claustrofóbica, cheia de corredores escuros e sustos rasteiros, onde a tensão é construída de forma direta e quase visceral. O roteiro, sem grandes pretensões filosóficas, é um veículo para a catarse da sobrevivência, impulsionado pela presença icônica de Milla Jovovich. Do outro, Assassin's Creed, que surge com ares de superprodução e a assinatura de Justin Kurzel, um diretor com um olho para o visual estilizado e a dramaticidade sombria. No entanto, a ambição de Kurzel, de mergulhar em memórias genéticas e uma guerra secular, tropeça num roteiro que se dilui entre saltos temporais e uma montagem que, por vezes, confunde mais do que esclarece, transformando o que poderia ser épico em algo um tanto frio e desconexo, apesar do talento de Michael Fassbender.
Para decidir qual aventura embarcar, é preciso sintonizar com o seu próprio 'estado de espírito'. Se você está em um daqueles dias em que a vida já demandou demais da sua inteligência e o que você realmente precisa é de uma descarga pura de adrenalina, uma experiência cinematográfica que não exija muito do seu córtex pré-frontal, então Resident Evil é a pedida perfeita. É o tipo de filme que se encaixa bem num fim de semana chuvoso, quando o tédio espreita e a vontade é de ver algo se explodir, monstros se arrastarem e uma heroína chutar traseiros sem se desculpar. Já Assassin's Creed, bem, ele se presta a um humor mais… contemplativo, talvez. Se você é um daqueles masoquistas cinéfilos que aprecia a tentativa de grandiosidade, mesmo que ela caia de cara no chão, ou se tem uma profunda curiosidade sobre como narrativas complexas de jogos podem (ou não) ser traduzidas para a tela, talvez possa arriscar. Mas esteja avisado: é uma experiência mais sobre a ideia do que sobre a execução emocionante.














