Ah, os dilemas da franquia Resident Evil... uma jornada de altos (poucos) e baixos (muitos). Comparar 'Apocalipse' e 'Retribuição' é como observar duas fases distintas de um mesmo vírus, cada uma com sua própria mutação estilística. Em 'Resident Evil 2: Apocalipse', embora ainda sob a sombra roteirística de Paul W.S. Anderson, a direção de Alexander Witt tenta resgatar um pouco da atmosfera original dos jogos, mergulhando Raccoon City em um caos urbano claustrofóbico. A linguagem visual é mais suja, aterrorizante, com o Nemesis espreitando como uma força imparável, e a introdução da Jill Valentine de Sienna Guillory, que, para o bem ou para o mal, se tornou icônica. Há uma tentativa, ainda que falha, de construir um senso de urgência e perigo real. Já 'Resident Evil 5: Retribuição' é Paul W.S. Anderson solto na pista de dança, uma orgia de câmera lenta, coreografias de luta absurdas e um roteiro que mal se sustenta, mais preocupado em desfilar personagens icônicos da franquia em cenários genéricos do que em contar uma história coesa. A estética é polida, quase asséptica, parecendo mais um trailer de videogame do que um filme propriamente dito, onde a lógica cede lugar ao espetáculo visual descerebrado.
Para escolher entre esses dois, não basta apenas verificar a nota; é preciso um alinhamento cósmico com o seu estado de espírito. Se você está naquele dia em que o estresse urbano da semana te deixou com uma necessidade latente de ver o caos em escala metropolitana, mas ainda quer uma pitada de suspense e a sensação de que há algo em jogo, 'Resident Evil 2: Apocalipse' é sua pedida. É para quando você quer uma catarse controlada, a emoção da fuga e da luta por sobrevivência que, embora exagerada, ainda tem um pé na realidade de um desastre iminente. Por outro lado, se a sua alma está exausta a ponto de não querer processar absolutamente nada, e você só anseia por uma distração visual e sonora que não exija um pingo de energia mental, 'Resident Evil 5: Retribuição' é o seu nirvana. É para quando você quer que seu cérebro apenas observe uma sequência interminável de explosões e golpes de artes marciais fantasiosos, sem questionar motivações, cronologias ou a própria física. É o equivalente cinematográfico de apertar botões aleatoriamente num fliperama barulhento.
















