Ah, os dilemas da sétima arte, especialmente quando se trata de algo tão... particular quanto a saga Resident Evil no cinema. Temos aqui dois contendores com notas praticamente idênticas, o que já nos diz muito sobre a consistência (ou a falta dela) na qualidade.
"Resident Evil 2: Apocalipse", sob a batuta de Alexander Witt – um veterano de segunda unidade que assumia pela primeira vez a cadeira principal –, mergulha de cabeça no caos urbano de Raccoon City. Ele tenta replicar a frenesia dos jogos com um tom mais direto e uma linguagem visual que alterna entre o escuro claustrofóbico e a ação explosiva, introduzindo personagens queridos como Jill Valentine e Nemesis em um esforço notável, mas que por vezes se perde na edição acelerada e na dependência excessiva de CGI que já envelheceu. É uma tentativa de espetáculo de desastre urbano, com Alice desenvolvendo seus poderes telecinéticos. Já "Resident Evil 3: A Extinção", dirigido por Russell Mulcahy (o mesmo de "Highlander", o que já é um cartão de visitas interessante), abandona o ambiente urbano por completo e nos joga em um deserto pós-apocalíptico à la Mad Max. Aqui, o tone é de sobrevivência brutal em um mundo desolado, com paisagens áridas e uma paleta de cores mais lavada, contrastando com a escuridão do anterior. O roteiro expande as capacidades de Alice e a conspiração da Umbrella em uma escala global, introduzindo Claire Redfield em um cenário que se propõe mais grandioso e desesperançoso.
Para escolher qual deles assistir, o humor é fundamental. Se você está com aquele sentimento de opressão urbana, como se as paredes estivessem se fechando e a burocracia do dia a dia fosse um verdadeiro Nemesis, então "Resident Evil 2: Apocalipse" pode ser a sua válvula de escape. É o filme para quando você quer ver uma cidade ir para o inferno de forma gloriosa e uma heroína chutando bundas sem pedir licença, uma catarse explosiva para a sua frustração contida. É a escolha perfeita para quem busca adrenalina sem muito compromisso intelectual, apenas o prazer visceral da destruição. Por outro lado, se a sua alma está mais para um ermo existencial, talvez você esteja questionando o futuro da humanidade ou simplesmente sentindo-se um grão de areia num deserto infinito de problemas, "Resident Evil 3: A Extinção" pode ser seu par perfeito. É para aqueles momentos em que você aprecia a resiliência humana em face de um apocalipse sem fim, onde cada gota d'água e cada bala contam. Ele ressoa com a energia de quem busca um sopro de esperança em meio ao desespero, e encontra beleza na desolação de um mundo que se recusa a morrer completamente.













