Extermínio (o original de Danny Boyle) é um soco no estômago, uma reinvenção visceral do terror pós-apocalíptico que, francamente, fez o gênero de infectados (não "zumbis", por favor, o purismo importa!) engatinhar novamente. Boyle usa uma linguagem visual crua, quase documental, com câmeras digitais que conferem uma urgência claustrofóbica. Alex Garland, no roteiro, nos arrasta para uma jornada de desumanização e esperança tênue, onde a verdadeira ameaça, muitas vezes, não são os infectados, mas os sobreviventes. Já Extermínio: O Templo dos Ossos, sob a batuta de Juan Carlos Fresnadillo, é a continuação que eleva a escala, mas talvez dilua um pouco a alma. A estética ainda é brutal, mas a polidez visual é um pouco maior, e o foco se desloca para o caos militar e a impossibilidade de conter o inevitável. É mais sobre a falha da ordem do que a busca desesperada por ela, com um elenco que tenta sustentar o drama no meio de um banho de sangue frenético.
Se você se encontra em um estado de reflexão sobre a fragilidade da civilização, talvez até sentindo um certo ceticismo sobre a capacidade humana de não repetir os mesmos erros, Extermínio é o seu filme. É para aquele momento em que a melancolia se encontra com a adrenalina, e você se pega imaginando o que faria se o mundo, como o conhece, simplesmente evaporasse. É um convite para confrontar a esperança sob o mais brutal escrutínio. Por outro lado, Extermínio: O Templo dos Ossos é para quando você já aceitou que a humanidade é inerentemente falha e só quer ver o circo pegar fogo novamente, mas com um orçamento maior e mais litros de sangue. É o filme perfeito para uma noite em que a sua paciência com a burocracia e a incompetência governamental está esgotada, e você anseia por uma catarse de destruição em massa sem se importar muito com as nuances existenciais.
Dito isso, e com a certeza de quem já viu os dois mais vezes do que deveria admitir, meu veredito é claro: Extermínio ainda reina soberano. Há uma originalidade e uma força temática no filme de Boyle que o Templo dos Ossos, por mais competente que seja, não consegue replicar. É a diferença entre o choque inovador e a execução eficaz de uma fórmula. Portanto, se você me perguntasse qual deles eu, como um crítico que aprecia a arte de instigar a mente tanto quanto a de esvaziar tripas, gastaria meu tempo revendo hoje, sem pestanejar, eu escolheria o original. Vá assistir Extermínio, e prepare-se para ser lembrado de que o verdadeiro horror raramente vem de monstros, e sim de nós mesmos, e de como um bom filme pode te fazer sentir isso na pele.












