Ah, os "Espetaculares"... Uma dupla que, para ser gentil, tentou ser espetacular e, bem, quase conseguiu em algumas partes. O primeiro, lançado em 2012, decidiu que precisávamos de uma nova origem, apostando em um tom mais sombrio e, ouso dizer, "alternativo" para o nosso amigão da vizinhança. A linguagem visual é mais crua, com uma paleta de cores que abraça a noite e a melancolia de um Peter Parker mais isolado e, francamente, um pouco mais rebelde. O roteiro se esforça para nos vender um romance crível entre Andrew Garfield e Emma Stone, e, para crédito deles, a química é inegável, tornando-se o coração do filme. Já a sequência, de 2014, decidiu que se um pouco é bom, muito é melhor, e acabou virando uma salada de vilões e tramas paralelas que se atropelam. A linguagem visual se expande para o grandioso, com um CGI que, por vezes, engole a narrativa, e o tom oscila entre a autoconsciência brincalhona e um melodrama quase operístico, tentando equilibrar o carisma do Homem-Aranha com o peso de múltiplos conflitos que parecem mais preocupados em montar um universo do que em contar uma história fechada.
Se você está em um daqueles dias introspectivos, onde a vida parece estar te jogando novas responsabilidades e você se sente um tanto deslocado no mundo, o primeiro "O Espetacular Homem-Aranha" pode ser a pedida ideal. É um filme que ressoa com a angústia adolescente de forma mais palpável, ideal para quando você está questionando seu lugar e seus poderes, sejam eles quais forem, e buscando uma conexão autêntica. Por outro lado, se a sua energia hoje pede uma overdose de estímulos, um espetáculo visual que não se preocupa muito em ser sutil e está disposto a perdoar uma trama um tanto desordenada em troca de emoções fortes e uma pitada de tragédia romântica, então o segundo pode satisfazer seu apetite por algo que grita "blockbuster" a cada quadro. É para quando você quer uma montanha-russa, mesmo que ela tenha algumas paradas inesperadas e curvas que pareçam aleatórias.















