Ao comparar 'Cinquenta Tons de Cinza' e 'Amor de Redenção', é como tentar harmonizar caviar com pirulito; ambos são consumíveis, mas a intenção e o paladar são mundos à parte. O primeiro, sob a direção de Sam Taylor-Johnson (na tentativa inicial de dar alguma dignidade cinematográfica a uma fanfic), busca um erotismo estilizado, quase asséptico, embalado em luxo e close-ups de testosterona e batons. O roteiro é uma sucessão de clichês de romance proibido com diálogos que oscilam entre o risível e o constrangedor, transformando supostas paixões intensas em um melodrama superficial. Já 'Amor de Redenção', com seu diretor D.J. Caruso, envereda por um caminho mais clássico e grandioso. A linguagem visual tende a ser expansiva, capturando a beleza (e a dureza) de seu cenário de época, enquanto o roteiro, adaptado de um romance espiritual de Francine Rivers, tenta construir uma jornada de dor, fé e transformação. É a diferença entre uma capa de revista de moda e um épico literário adaptado com seriedade (ainda que talvez com uma pitada de sentimentalismo demais).
Se você está em busca de um passatempo descompromissado, talvez para saciar uma curiosidade cultural ou simplesmente para desligar o cérebro e se perder em uma fantasia um tanto oca de luxo e uma pseudo-rebeldia, 'Cinquenta Tons de Cinza' pode até servir. É o tipo de filme para um dia preguiçoso onde você quer ver algo que flerta com o escândalo, mas que no fundo é bem comportado, quase um 'guilty pleasure' para quando a mente pede uma distração leve e visualmente polida. Por outro lado, 'Amor de Redenção' se encaixa perfeitamente para uma noite onde a alma pede por uma história mais substancial, por um bálsamo para as feridas da vida. É para quando você está em um estado emocional que anseia por esperança, por uma narrativa de superação, perdão e amor incondicional que pode realmente tocar e inspirar, talvez até mesmo proporcionar uma boa e necessária catarse emocional. É para quando a reflexão e a busca por um sentido maior prevalecem.
















