Ao colocarmos lado a lado 'Regressão' e 'Obsessão Secreta', percebemos dois mundos à parte, apesar de ambos habitarem o universo do thriller. Alejandro Amenábar, em 'Regressão', orquestra uma sinfonia sombria e claustrofóbica, mergulhando na falibilidade da memória e na histeria coletiva com uma linguagem visual que beira o desespero e um roteiro que busca perturbar o espectador com questões existenciais, ainda que por vezes se perca em sua própria ambição. Há uma tentativa de arte, de cinema com 'C' maiúsculo, evidente na fotografia fria e na performance intensa de Ethan Hawke. Já 'Obsessão Secreta' é um produto da linha de montagem de thrillers de consumo rápido, dirigido por Peter Sullivan, que raramente se aventura para além do manual básico do suspense televisivo. Sua linguagem visual é funcional, sem alma, e o roteiro, embora eficiente em sua premissa de 'mulher em perigo', se contenta em reaquecer tropos batidos, sem a profundidade psicológica ou a nuance que Amenábar, para o bem ou para o mal, tenta infundir em sua obra.
Para decidir qual deles é seu par ideal, pense no seu estado de espírito. Se você busca uma experiência que o desafie a duvidar do que vê e a questionar a natureza da verdade e da sugestão em ambientes opressores, 'Regressão' é para você. É o filme perfeito para uma noite chuvosa em que você está com a mente inquieta, pronto para se entregar a um quebra-cabeça psicológico que, mesmo que não seja perfeitamente montado, ainda assim o fará pensar e sentir um arrepio incômodo na espinha. Por outro lado, se a sua alma clama por um entretenimento descompromissado, um escapismo onde as reviravoltas são mais previsíveis que a conta do final do mês, 'Obsessão Secreta' servirá bem ao propósito. É aquele filme para quando você precisa de uma dose de suspense sem ter que ligar muito o cérebro, talvez enquanto dobra a roupa ou apenas se aninha no sofá sem grandes pretensões, apreciando a simplicidade de uma trama de gato e rato sem muitos questionamentos.













