Olha, comparar o primeiro 'John Wick - De Volta ao Jogo' com 'John Wick 3: Parabellum' é quase como discutir se o vinho inaugural de uma safra é melhor que a evolução de três anos depois. O filme original, dirigido por Chad Stahelski (e, sim, o David Leitch fez uma pontinha significativa, mas não creditada, na direção), é um estudo de caso em eficiência brutalista. A linguagem visual é espartana, a coreografia é um balé de morte visceral que redefiniu o 'gun-fu' sem precisar de malabarismos excessivos. O roteiro é enxuto, direto ao ponto: não toque no cachorro. Keanu Reeves encarna a dor e a fúria contida com uma maestria silenciosa. Já 'Parabellum', embora ainda sob a batuta de Stahelski, é uma explosão de maximalismo. A escala é global, a mitologia da Alta Cúpula é jogada na sua cara com a sutileza de um martelo, e as sequências de ação abraçam o absurdo com cavalos, cachorros e livros como armas. É grandioso, sim, mas às vezes beira o espetáculo pelo espetáculo, trocando a elegância crua do primeiro por uma opulência que, em certos momentos, parece implorar por mais e mais.
Seu estado de espírito é crucial para a escolha. 'De Volta ao Jogo' é o filme para quando você se sente injustiçado, quando a vida te deu uma rasteira e você precisa de uma catarse furiosa, mas controlada. É para aquela noite em que você está exausto do dia, talvez tenha discutido com um vizinho irritante ou a cafeteira quebrou, e tudo que você quer é ver um homem determinado, com um senso de propósito inabalável, limpar a bagunça com uma eficiência quase artística. É a vingança para o adulto cansado, que aprecia a precisão em vez do caos. 'Parabellum', por outro lado, é para os dias em que você está se sentindo completamente sobrecarregado, como se o mundo inteiro estivesse atrás de você. É para quando a lista de tarefas parece infinita e você precisa de uma fuga vertiginosa, um tsunami de ação ininterrupta que te faça esquecer os seus próprios problemas por duas horas. É a adrenalina pura para quem precisa de um choque de realidade (ou de ficção, no caso) para lembrar que as coisas poderiam ser bem piores... e muito mais estilosas.












