John Wick - De Volta ao Jogo (o primeiro, para os íntimos) nos apresentou a um mundo sob a superfície, com um tom quase neo-noir e uma economia narrativa impressionante. A direção de Chad Stahelski e David Leitch era minimalista, focada em coreografias de luta que elevavam o "gun-fu" a uma arte cinética, quase um balé de destruição. O roteiro é espartano, direto ao ponto, um estudo de vingança pura e simples, com Keanu Reeves entregando uma performance física que dizia mais que mil palavras. Já John Wick 4: Baba Yaga é uma epopeia maximalista, que expande o universo a níveis quase mitológicos. Stahelski, agora solo, dobra a aposta na grandiosidade visual, com planos-sequência de tirar o fôlego, cenários exuberantes e uma escala de ação que beira o absurdo operístico. O tom é mais fatalista, uma jornada rumo ao crepúsculo de um guerreiro, com um elenco de apoio que parece saído de um painel de RPG, cada um com sua peculiaridade estilosa. Enquanto o primeiro é uma introdução visceral e contida, o quarto é a apoteose gloriosa de tudo que veio antes.
Se você busca uma catarse visceral, uma descarga de adrenalina sem rodeios para extravasar o estresse de um dia particularmente infernal, John Wick - De Volta ao Jogo é a sua pedida. É o filme para quando você se sente pessoalmente ofendido pelo universo e precisa ver alguém dar o troco com estilo e precisão letal, sem grandes reflexões filosóficas. Ideal para uma noite de raiva justa, quando você só quer ver o mal ser punido de forma brutalmente satisfatória. Por outro lado, John Wick 4: Baba Yaga é para aquela noite em que você está com a alma um pouco mais... filosófica, digamos. Quando a vida te impôs desafios hercúleos e você precisa de uma jornada épica sobre resiliência, sacrifício e a busca pela liberdade contra um sistema opressor. É para quando você está pronto para aceitar o peso do destino e se deleitar em sequências de ação que são quase transcendentes em sua grandiosidade, uma verdadeira ópera balística para a alma cansada, mas não derrotada.












