Matando o Papai, pelo seu título e nota, me cheira a uma comédia de humor negro, com uma direção mais autoral, que se aprofunda nos meandros disfuncionais de uma família, talvez explorando o ridículo e o dramático com um roteiro afiado e performances que sustentam essa delicada balança. A linguagem visual provavelmente serve à narrativa íntima, sem a necessidade de grandes espetáculos, focando nos detalhes que constroem a tensão e o riso nervoso. Já Truque de Mestre: O 3° Ato é, como o próprio nome entrega, a terceira dose de uma franquia que sempre apostou no espetáculo visual, em truques cada vez mais mirabolantes e em reviravoltas que, a essa altura, podem flertar com o previsível. A direção aqui busca deslumbrar, manter o ritmo acelerado e, talvez, compensar a fadiga da fórmula com mais CGI e menos substância, diluindo um pouco da magia original em um show de artifícios.
Se você está em um dia de questionamentos existenciais leves, ou talvez com uma pitada de ressentimento familiar (nada muito sério, claro, apenas o suficiente para rir das desgraças alheias), Matando o Papai seria sua companhia ideal. É um filme para quando você busca uma catarse sarcástica, para rir do absurdo da condição humana e das dinâmicas familiares complicadas, que nos fazem pensar "ainda bem que não sou eu... ou sou?". É perfeito para uma noite introspectiva com um bom vinho, onde se aprecia a inteligência de um roteiro que não tem medo de ser um pouco cruel. Por outro lado, Truque de Mestre: O 3° Ato se encaixa perfeitamente naquelas tardes de domingo chuvosas, quando o cérebro exige uma pausa e os olhos pedem por explosões, ilusionismos e perseguições sem precisar ponderar muito sobre a lógica. É a pedida para desligar, relaxar e ser levado por um espetáculo que, ainda que talvez um pouco cansado, cumpre a função de entreter sem exigir grande esforço mental ou emocional.
Como um crítico que, apesar do ceticismo, ainda se derrete por uma boa história e uma execução competente, hoje eu gastaria meu tempo assistindo Matando o Papai. Em um mar de sequências e remakes, a promessa de um humor ácido, uma trama talvez mais original e uma análise afiada das relações humanas me atrai infinitamente mais. Esqueça os coelhos saindo da cartola e as reviravoltas forçadas; venha se deliciar com a possibilidade de um filme que realmente tem algo a dizer, e que o faz com uma inteligência que, por vezes, nos arranca um riso constrangido, mas genuíno. É a chance de ver um filme que, com sua nota superior, sugere ser um mergulho mais recompensador na complexidade humana, mesmo que seja através da lente do humor negro.









