“Sempre ao Seu Lado”, sob a direção de Lasse Hallström, opta por uma sensibilidade quase documental em sua narrativa. A linguagem visual é despretensiosa, focando na rotina e na passagem implacável do tempo, com uma fotografia que emula a melancolia serena de seu cenário, ainda que adaptado da história original. O roteiro é minimalista em diálogos, deixando que a performance contida de Richard Gere e, crucialmente, a expressividade canina do Hachi, comuniquem a essência da lealdade inabalável. Não há grandes arcos dramáticos convencionais; o drama reside na paciência e na memória. “A Culpa é das Estrelas”, por outro lado, dirigido por Josh Boone, é um produto mais direto de sua era, um romance juvenil que abraça o melodrama com um vigor quase performático. A direção aposta em closes íntimos e uma estética que realça a juventude e a vulnerabilidade dos protagonistas. O roteiro é carregado de diálogos espirituosos e reflexões existenciais que, por vezes, beiram o autoengrandecimento adolescente, mas são entregues com carisma por Shailene Woodley e Ansel Elgort. É um filme que, ao contrário de “Hachi”, grita suas intenções emocionais.
Se você está procurando um filme para processar uma sensação de perda silenciosa ou para reafirmar a beleza da devoção e da paciência, “Sempre ao Seu Lado” é sua pedida. É para aquele momento em que a vida parece um pouco caótica e você anseia por uma história que reforce a simplicidade de um amor puro e incondicional, que transcende barreiras e até a própria morte. Ideal para uma noite chuvosa, com um lenço à mão, quando você precisa chorar um pouco para lavar a alma, sem a necessidade de grandes reviravoltas ou discursos grandiosos. Já “A Culpa é das Estrelas” encaixa-se perfeitamente quando você está numa fase mais... existencialista, talvez com o coração um pouco em frangalhos, ou simplesmente com vontade de mergulhar num romance agridoce que te lembre da efemeridade da vida e da intensidade do primeiro amor. É para quando você quer sentir a euforia da paixão juvenil misturada com a melancolia de uma contagem regressiva, e talvez soltar algumas risadas nervosas antes das inevitáveis lágrimas. Perfeito para uma sessão de “catarse controlada” com amigos ou sozinho, quando a reflexão sobre o “para sempre” versus “o agora” está no ar.















