Perdido em Marte, sob a batuta de Ridley Scott, é um hino à resiliência humana, um manifesto científico-otimista embrulhado em cenários marcianos grandiosos. Sua linguagem visual é limpa, expansiva, e o roteiro, inteligentíssimo, injeta humor e um senso de urgência contagiante em cada solução de problema, quase transformando a sobrevivência num quebra-cabeça eletrizante. O tom é de puro entretenimento cerebral. Ad Astra, por outro lado, com James Gray no comando, é uma odisseia existencial, um mergulho melancólico na psique de seu protagonista. Aqui, o espaço é menos um palco para a engenhosidade e mais um vazio que reflete a solidão interior. A direção de Gray aposta em closes contemplativos, numa atmosfera opressiva, e um roteiro que se move por sussurros e silêncios, priorizando a angústia e a busca por significado sobre a ação frenética. É uma experiência bem mais introspectiva, quase filosófica, onde a vastidão cósmica é um espelho para as feridas familiares.
Se você está precisando de um bom chute na bunda da adversidade, de uma prova de que a inteligência e o bom humor podem nos tirar do atoleiro mais profundo, Perdido em Marte é seu bilhete dourado. É o filme ideal para aquela noite em que você se sente um pouco desmotivado, precisando de uma dose de engenhosidade e otimismo contagiantes para lembrar que problemas são apenas desafios esperando uma solução engenhosa. Para Ad Astra, prepare-se para uma viagem mais sombria e contemplativa. Ele é para aquele momento em que a alma pede uma reflexão sobre a desconexão humana, sobre o peso das expectativas paternas e a busca por um propósito maior num universo indiferente. Perfeito para uma noite chuvosa, com um chá quente na mão, quando você está disposto a enfrentar seus próprios abismos internos junto com Brad Pitt flutuando pelo espaço.
Olha, como um crítico que aprecia tanto a inteligência quanto a emoção bem arquitetada, e considerando que minha paixão por cinema se alimenta de narrativas que entregam o que prometem com excelência, hoje eu gastaria meu tempo assistindo, ou reassistindo, Perdido em Marte. Sim, Ad Astra tem seus méritos artísticos na introspecção, mas Perdido em Marte não só nos diverte e nos ensina algo sobre ciência, como nos eleva, nos inspira. Ele te agarra do primeiro minuto, te faz torcer por um homem sozinho contra a imensidão vermelha e te deixa com um sorriso de satisfação pela capacidade humana de se reinventar. É uma celebração da vida, da inteligência e do otimismo que é impossível resistir. Você vai sair de lá com a sensação de que, não importa o desafio, sempre há uma forma de “botar ciência nisso” e sobreviver.










