De um lado, temos o espetáculo pirotécnico e emocionalmente calculista de 'Vingadores: Ultimato', uma orquestra regida pelos irmãos Russo que transforma bilhões de dólares em um balé digital coreografado para arrancar suspiros e lágrimas em doses precisas. É a apoteose do cinema-montanha-russa. Do outro, 'Tropa de Elite', sob a batuta ríspida de José Padilha, que entrega um soco no estômago com a câmera na mão, suor e pólvora, sem maquiagem ou filtros fofos. Um é o triunfo do CGI e do fan-service desenfreado; o outro é a crueza de um documentário ficcional que arranca a casca da realidade brasileira com um realismo quase doloroso.
Se você busca uma lobotomia temporária, um abraço caloroso da nostalgia e um escape seguro para esquecer as contas, 'Ultimato' é o seu programa: ideal para um domingo chuvoso, acompanhado de uma pilha de pizza e amigos que também não superaram a adolescência. É o bálsamo para a alma cansada que só quer um final feliz, mesmo que plastificado. 'Tropa de Elite', porém, é para quando você acordou querendo questionar a própria existência, a falência das instituições e a podridão humana. É para aquele dia em que a crise existencial bate e você precisa de um banho de água fria na cara, talvez até um choque elétrico. Definitivamente não é para um encontro romântico, a não ser que o objetivo seja testar os limites do seu parceiro.
Conclusão:Olha, com todo o respeito ao circo superproduzido e ao coro de aplausos do público devoto, como um crítico que ainda valoriza substância sobre a máquina de fazer dinheiro, hoje eu dedicaria meu tempo a 'Tropa de Elite'. 'Ultimato' pode ter um número ligeiramente maior no placar popular, mas é uma experiência que se esvai como fumaça; 'Tropa de Elite', mesmo com seus atropelos, me provoca, me instiga, e me deixa com algo mais para ruminar do que apenas a promessa de mais uma sequência. Um é um banquete opulento de fast-food; o outro, uma refeição pesada, indigesta talvez, mas que te nutre de algo real.










