A Substância e A Maldição de Frankenstein representam extremos fascinantes do horror. A diretora Coralie Fargeat em A Substância nos joga em um pesadelo visceral e ultrajante, onde a linguagem visual é um soco no estômago, com cores saturadas e efeitos práticos que não se furtam a mostrar cada gota de sangue e cada retalho de carne. É um filme que, através de seu roteiro afiado e da performance audaciosa de Demi Moore, critica ferozmente a obsessão contemporânea pela juventude e beleza, com um tom de sátira macabra que se entranha. Já A Maldição de Frankenstein, de Terence Fisher, é um monumento do horror gótico da Hammer, onde a direção aposta na atmosfera e no melodrama. As cores vibrantes para a época, a cenografia grandiosa e a atuação carismática e sutilmente sinistra de Peter Cushing como Victor, ao lado do monstro brutal de Christopher Lee, constroem uma narrativa de hubris científico e tragédia com uma elegância sombria, sem a explicitação gráfica do seu contraponto moderno, mas com um terror psicológico que pulsa sob a superfície.
Para escolher entre esses dois titãs, é preciso calibrar seu estado de espírito. Se você está em um momento de questionamento das pressões sociais, da imagem corporal, ou apenas com vontade de chacoalhar os alicerces do seu conforto com uma obra que é tão repulsiva quanto brilhante em sua crítica, A Substância é o seu filme. É para aquela noite em que você está com um humor ácido e quer uma experiência que cutuque suas entranhas e sua mente, deixando-o desconfortável e pensativo sobre os custos da vaidade. Por outro lado, se a nostalgia do cinema clássico, o charme das histórias de monstro com uma pitada de drama humano e a construção de um suspense gótico bem-feito te atraem, então A Maldição de Frankenstein é a pedida perfeita. Ideal para um fim de semana chuvoso, quando a única companhia que você busca é a de um conto de advertência atemporal, servido com a maestria que só a Hammer sabia entregar.











