Ah, John Wick: Um Novo Dia para Matar e Anônimo 2. De cara, já dá para notar que estamos em terrenos distintos, embora ambos orbitam a galáxia da pancadaria estilizada. John Wick, sob a batuta precisa de Chad Stahelski, é uma sinfonia coreografada, um balé brutal onde cada "gun-fu" e cada arremesso de judô são passos calculados de uma dança mortal. A linguagem visual é afiada, quase operática, banhada em neon e figurinos impecáveis, expandindo um universo de regras e códigos com uma mitologia rica e sedutora. O roteiro, mesmo que econômico em diálogos, é denso em subtexto e implicações. Já Anônimo 2, seguindo a linhagem do primeiro filme dirigido por Ilya Naishuller, tende a ser mais visceral, menos polido e com um humor negro que permeia a selvageria. Enquanto Wick é um ícone estoico, uma força da natureza, o personagem de Bob Odenkirk, imagino, deve continuar a personificação do homem comum que esconde um passado explosivo, trocando a elegância formal por uma crueza surpreendente e um carisma desajeitado.
Para escolher o ideal, pense no seu estado de espírito. Se você está à procura de uma fuga completa para o reino do espetáculo puro, uma overdose de adrenalina visualmente deslumbrante que não exige muito do seu intelecto além de admiração, John Wick: Um Novo Dia para Matar é a sua pedida. É para o dia em que você se sente entediado com a chatice do cotidiano e anseia por uma fantasia de violência elegante e consequências épicas, desejando secretamente que seu terno esconda um arsenal. Anônimo 2, por outro lado, encaixa-se perfeitamente naquele humor em que você se sente um pouco invisível, talvez subestimado, e sonha em liberar uma fúria contida com um toque de humor irônico. É a catarse para quem quer ver o "ninguém" se tornar alguém, com uma dose de autoconsciência e a satisfação de ver a brutalidade misturada com piadas secas, perfeito para desabafar a frustração do dia a dia com uma dose de risadas nervosas.













