Ah, as duas opções. De um lado, temos "John Wick: Um Novo Dia para Matar", um monumento à violência estilizada que Chad Stahelski dirige como se cada tiro fosse uma pincelada expressionista. O tom é de um balé sombrio e implacável, onde a coreografia de combate é a verdadeira estrela, e o realismo foi elegantemente jogado pela janela em prol de um espetáculo visceralmente estético. Do outro, J.J. Abrams em "Missão: Impossível 3", onde o estilo é de um thriller de espionagem mais tradicional, com um ritmo frenético e uma edição que parece ter medo de que você respire por um segundo. O tom é de urgência e suspense constante, com Tom Cruise correndo, suando e salvando o dia de uma forma mais visceral, mas, francamente, menos artisticamente ambiciosa.
Para "John Wick", a vibração ideal é quando você está com a mente cansada de pensar, talvez depois de um domingo de chuva que só te deixou deprimido, ou uma crise existencial sobre a futilidade da vida, e você só quer se deliciar com a beleza brutal da aniquilação metódica. É o filme perfeito para desligar o cérebro e ligar o piloto automático do 'uau, olha esse cara matando todo mundo de novo'. Já "Missão: Impossível 3" serve para aqueles momentos em que você quer um entretenimento competente e inofensivo, talvez num sábado à tarde preguiçoso com pipoca, ou para um encontro casual onde o objetivo é ter algo no fundo sem que ninguém precise realmente prestar atenção demais. É a aposta segura para quem não quer ser desafiado, apenas levemente agitado, como um suco de caixinha.
Conclusão:Então, qual desses monumentos à mediocridade do cinema moderno eu, um crítico exigente, gastaria meu tempo? Embora "Missão: Impossível 3" seja um trabalho sólido e funcional, ele se perde na competência genérica, não deixando uma marca duradoura. "John Wick: Um Novo Dia para Matar", apesar de toda a sua sanguinolência e premissa absurda, possui uma visão estilística inegável e uma execução de ação que transcende o trivial. Se é para ceder ao consumo, que seja a algo que ao menos tenta ser uma obra de arte na sua categoria, mesmo que seja a arte de matar com estilo. Hoje, escolheria o Sr. Wick para a minha sessão de masoquismo cinematográfico, pelo menos sei que verei algo memorável.










