Anjos da Vida: Mais Bravos que o Mar provavelmente se joga de cabeça no melodrama aguado, com uma direção que grita "Oscar de emoção forçada" e um tom que aspira à nobreza do sacrifício, mas que, no fundo, cheira a altruísmo pasteurizado. É a epopeia do herói que te força a chorar, com cada cena desenhada para arrancar uma lágrima manipulada. Já Rambo IV, por outro lado, nem se preocupa em fingir sutilezas. É um festival de carnificina dirigida com a elegância de um martelo em um crânio, seu tom é de um niilismo visceral onde a única comunicação é feita através de balas e vísceras. Um quer te fazer sentir, o outro quer te fazer *sentir* a dor alheia explodindo na tela.
Se você está buscando uma sessão para curar a ressaca moral de um domingo chuvoso, quando a única emoção que você pode suportar é a dos outros em situações extremas (e de preferência, morrendo heroicamente), Anjos da Vida é a sua pedida. Ideal para aquela tia que acha que todo filme com uniforme é profundo, ou para quando você precisa de uma boa choradeira catártica sem ter que pensar muito, deixando-se levar por heroísmos previsíveis. Rambo IV, ah, esse é para quando a raiva borbulha na alma, quando o mundo te irritou a semana inteira e a única coisa que te acalma é ver um homem com músculos de granito desmembrar um exército inteiro. Perfeito para uma noite solitária de catarse violenta, ou talvez um encontro romântico... se o seu par for um psicopata com bom gosto para a brutalidade sem censura.
Conclusão:Sendo um crítico com o mínimo de bom gosto e uma tolerância ainda menor para a pieguice hollywoodiana, gastaria meu tempo hoje com Rambo IV. Sim, ele é brutal, simplório e uma orgia de violência gráfica que provavelmente te deixará com um leve enjoo moral. Mas pelo menos ele é *honesto* sobre o que é. Não tenta te enganar com bandeiras, lágrimas fabricadas e mensagens moralistas ocas. É uma experiência visceral, sem pretensões, que cumpre sua promessa de destruição. O outro, com seu heroísmo duvidoso e sentimentalismo barato, soa mais como uma punição do que um entretenimento genuíno.



