Ah, Cameron, o homem que adora um desafio técnico e um naufrágio – seja de navio ou de ecossistema. "Titanic" e "Avatar" são dois gigantes que, apesar de virem do mesmo megalomaníaco visionário, respiram ares bem distintos. "Titanic" é um romance épico disfarçado de filme-catástrofe histórico, onde cada plano daquele navio colossal nos lembra da fragilidade humana frente à natureza e à própria arrogância. A direção aqui é sobre construir tensão e intimidade, com um roteiro que, apesar de algumas linhas de diálogo um tanto... uh, diretas, consegue nos prender à saga de Jack e Rose. Já "Avatar" é o Cameron libertado no playground da CGI, uma explosão visual de um mundo alienígena exuberante. A linguagem visual é a estrela, com um roteiro que, convenhamos, é mais um esqueleto para pendurar os efeitos especiais do que uma narrativa complexa. Ambos empurraram os limites tecnológicos, mas "Titanic" o fez a serviço da emoção, enquanto "Avatar" usou a emoção como um adereço para a tecnologia.
Escolher entre eles depende puramente do seu estado de espírito, claro. "Titanic" é para aquela noite em que você está com a guarda baixa, talvez um pouco melancólico, e busca uma catarse emocional genuína. É para quando você quer chorar por um amor impossível, se indignar com as injustiças sociais da Belle Époque ou simplesmente se maravilhar com a escala de uma tragédia que, de alguma forma, engrandece o espírito humano. Perfeito para um abraço quentinho no sofá, com uma caixa de lenços por perto. "Avatar", por outro lado, é a pedida se você está exausto da realidade e precisa de uma fuga completa para um espetáculo sem paralelos. É para quando a sua mente só quer ser assombrada por florestas bioluminescentes e criaturas voadoras azuis, sem se preocupar demais com as nuances da trama. É o equivalente cinematográfico de um videogame de gráficos impressionantes: pura imersão visual para desligar o cérebro e abrir os olhos para o deslumbramento.








