Ah, escolher entre esses dois titãs da carnificina coreografada é como decidir se você prefere um balé sangrento com figurinos de alta costura ou uma briga de rua brutal filmada por um lunático com uma câmera na mão. John Wick 4: Baba Yaga, com sua nota ligeiramente superior e, sejamos francos, um pedigree mais robusto, é uma ópera visual, onde cada tiro e golpe é parte de uma sinfonia de destruição elegantemente orquestrada. Chad Stahelski transforma a tela em uma tela neo-noir, saturada de néons melancólicos e planos sequência que desafiam a gravidade e a lógica, elevando a violência a uma forma de arte quase religiosa, com Keanu Reeves como um messias estoico em busca de paz que nunca chega. Já Resgate 2, sob a batuta de Sam Hargrave, é uma experiência mais visceral, um soco no estômago contínuo. Sua linguagem visual é menos sobre a estética e mais sobre a imersão crua, com a câmera nos colocando no ombro de Tyler Rake, sentindo cada impacto e vendo o suor e o sangue jorrar. É a diferença entre uma partida de xadrez mortalmente calculada e um jogo de rugby sem regras, ambos, claro, espetacularmente violentos, mas com intenções e execuções distintas.
Para apreciar John Wick 4 em sua plenitude, você precisa estar no estado de espírito certo para abraçar a grandiosidade estilizada e a melancolia existencial de um homem preso em um ciclo interminável de vingança e lealdade. É o filme perfeito para quando você se sente um pouco sobrecarregado pelo absurdo da vida, mas quer testemunhar um herói lutando contra um sistema intransponível com uma dignidade quase trágica, enquanto aprecia a beleza da coreografia de combate e a construção de um mundo secreto ricamente detalhado. É para a noite em que você quer um espetáculo que eleve sua alma, mesmo que seja através do derramamento de sangue. Resgate 2, por outro lado, é para quando a sua alma está com coceira e você precisa de uma descarga de adrenalina pura, sem frescura, sem questionamentos filosóficos. É o filme para o dia em que você está com raiva do mundo ou simplesmente quer se desligar e ver um profissional fazer o trabalho mais difícil possível com uma eficiência brutal e sem rodeios. É para aquela noite em que você quer sentir o calor da ação e a tensão da sobrevivência pulsando na sua veia, sem se preocupar muito com o 'porquê', apenas com o 'como'.













