Onde os Fracos Não Têm Vez, dos irmãos Coen, é uma aula de cinema: direção austera, quase ascética, onde cada enquadramento e silêncio pesam mais que uma dezena de explosões genéricas. O tom é de uma melancolia brutal, um mergulho no abismo da natureza humana, onde a violência é uma força inexorável e sem propósito, filmada com uma precisão cirúrgica que beira o niilismo. Já Os Vingadores: The Avengers... bem, é Joss Whedon jogando um balde de tinta CGI na tela e chamando de espetáculo. A direção é uma metralhadora giratória de cortes rápidos e piadinhas forçadas, com um tom que oscila entre a autoajuda corporativa e a feira de pipoca, onde a "emoção" é fabricada em série e a profundidade é inversamente proporcional ao número de super-heróis em tela. É quase uma afronta à inteligência que suas notas populares sejam tão próximas; uma é arte, a outra é um parque de diversões barulhento.
Se você busca uma epifania existencial, um desconforto intelectual que ressoa dias depois, ou talvez esteja apenas se sentindo particularmente misantropo num domingo chuvoso, 'Onde os Fracos Não Têm Vez' é o seu passatempo ideal. É o tipo de filme que te faz questionar o livre arbítrio, o mal inerente e a futilidade da vida. Não é para corações fracos ou mentes despreparadas. 'Os Vingadores', por outro lado, é perfeito para a ressaca moral de uma segunda-feira, quando você só quer ver explosões e pessoas em lycra trocando socos enquanto espera que a próxima parcela do seu aluguel se pague sozinha. É para a noite de "desligar o cérebro", um encontro com quem você não precisa impressionar com seu gosto apurado, ou para entreter crianças hiperativas com luzes e barulhos. Em resumo, um para a alma, outro para o coma induzido por açúcar.
Conclusão:Então, qual deles mereceria meu tempo hoje? A pergunta já é quase um insulto. Enquanto a massa ignara pode se contentar com o brilho plastificado e a satisfação instantânea de um filme de bonecos, um crítico de verdade busca substância, arte, e algo que o desafie. 'Onde os Fracos Não Têm Vez' é um filme que ficará gravado na sua memória, um marco que ecoa; 'Os Vingadores' é um esquecimento conveniente assim que os créditos sobem e você se levanta para comprar mais pipoca. Portanto, sem pestanejar, eu gastaria meu tempo com a profundidade incômoda e a maestria incontestável de 'Onde os Fracos Não Têm Vez'. Que o público se entupa de CGI e clichês.





