Ah, Predador, uma saga que já nos deu muito e, convenhamos, nos decepcionou em igual medida. Comparar "O Predador: A Caçada" (Prey, no original) com "Predador: Terras Selvagens" é como cotejar um conto de fadas sombrio e primoroso com uma história em quadrinhos barulhenta e um tanto esquizofrênica. Dan Trachtenberg, em "A Caçada", soube destilar a essência do filme original – a caçada implacável e a inteligência sobre a força bruta – ambientando-o em 1719 com uma protagonista Comanche. A linguagem visual é orgânica, a câmera se move com a fluidez da natureza e a tensão é construída de forma paciente, quase artesanal, valorizando a engenhosidade de Naru. É um roteiro enxuto que confia na performance e na imersão. Já Shane Black, em "Terras Selvagens", tentou infundir seu estilo cínico e sarcástico, mas acabou com um roteiro que cambaleia entre a comédia de ação e o terror sanguinolento, numa colcha de retalhos que introduz um esquadrão de soldados "malucos" e uma mitologia Predator inchada. O filme é um espetáculo de CGI e explosões que, paradoxalmente, carece da alma e da originalidade que "A Caçada" ostenta com tanta facilidade.
Pensando no ambiente ideal para cada um, "O Predador: A Caçada" é a escolha perfeita para aquela noite introspectiva, quando você busca uma experiência imersiva que celebre a resiliência humana e a capacidade de superar o impossível com inteligência e astúcia. É para quando você se sente um tanto "contra a parede" na vida e anseia por uma narrativa de empoderamento, uma ode à persistência. Sente-se sozinho em um desafio e precisa de um lembrete visceral de que a sagacidade é a melhor arma? "A Caçada" serve à perfeição. "Predador: Terras Selvagens", por outro lado, é um filme para quando o QI já se esgotou depois de um dia exaustivo e tudo o que você quer é barulho, piadas desbocadas e uma enxurrada de clichês de ação que se atropelam. É o filme que você coloca quando está com amigos, cerveja na mão, e a conversa é mais importante que o que está acontecendo na tela, servindo como pano de fundo para risadas fáceis e eventuais comentários sobre a violência gratuita. É para desligar o cérebro, não para ligá-lo.








