Alien: A Ressurreição, sob a batuta do peculiar Jean-Pierre Jeunet, é uma salada agridoce. Sua linguagem visual herda o bizarro e o gótico de “Delicatessen” ou “A Cidade das Crianças Perdidas”, infundindo o universo Alien com um toque europeu excêntrico e quase cômico no horror. O roteiro de Joss Whedon, afiado como sempre, tenta equilibrar a ação com diálogos espirituosos, mas por vezes parece que os personagens estão mais preocupados em soltar uma tirada do que sobreviver a um xenomorfo. Já Prometheus, com o retorno do mestre Ridley Scott, é uma besta completamente diferente. Aqui, a ambição é monumental, buscando as origens da vida e do terror. Scott pinta quadros deslumbrantes de paisagens alienígenas e estruturas monolíticas, com um tom sério e quase reverente. O roteiro, por outro lado, patina em certas decisões de personagem e lógicas, mas a visão geral é de uma grandiosidade que A Ressurreição nem sonha em ter, focando mais na escala épica e na busca por respostas cósmicas do que no gore direto.
Se você está buscando uma experiência para quando a vida parece uma sequência de eventos bizarros e você só quer abraçar o caos com um sorriso meio torto, Alien: A Ressurreição é a sua pedida. É para aquele dia em que você já se cansou de tentar entender o mundo e prefere se jogar numa montanha-russa de carne e aço, onde a clonagem de uma heroína espacial resulta em aberrações que desafiam a lógica e o bom gosto, mas que têm um certo charme grotesco. No entanto, se o seu espírito estiver mais propenso a contemplar as grandes questões da existência, a origem da humanidade e o nosso lugar no cosmos, mesmo que o caminho para essas respostas seja pavimentado com decisões questionáveis dos personagens, então Prometheus se encaixa. É para aquela noite em que você quer se perder em um visual espetacular e uma trama que, apesar de suas falhas, te convida a pensar (ou a discutir fervorosamente) sobre os mistérios do universo, sentindo-se pequeno diante de algo ancestral e terrível.










