Blue My Mind e A Liga Extraordinária são como dois opostos que habitam o mesmo universo cinematográfico, mas com ambições e execuções radicalmente diferentes. O primeiro, sob uma direção íntima e visceral, mergulha numa linguagem visual hipnotizante, repleta de azuis profundos e simbolismo aquático, que serve à sua história de transformação corporal e existencial. O roteiro é minimalista no diálogo, mas eloquente na exploração das angústias de Mia, tornando cada imagem um pedaço da sua pele descamando. Já A Liga Extraordinária é uma miscelânea ambiciosa, mas dispersa, onde a direção tenta conjurar um épico vitoriano-steampunk. A linguagem visual, embora ocasionalmente grandiosa com seus designs de produção, é frequentemente traída por um CGI datado e um tom que oscila entre o sério e o camp sem nunca se decidir. O roteiro, por sua vez, tenta encaixar tantos personagens icônicos que nenhum deles ganha o peso necessário, transformando o que deveria ser uma equipe coesa em uma mera coleção de figuras que se encontram por acaso.
Se você está buscando uma experiência que ressoe com aquele período de sua vida onde se sente em plena mutação, onde o corpo parece um estranho e a mente se debate com o que é real e o que é monstruoso, Blue My Mind é o bálsamo perturbador que você precisa. Ele é para as noites em que a introspecção pede algo que dialogue com o bizarro e o belo da auto-descoberta, um filme que te convida a abraçar o lado selvagem e inexplicável de ser. A Liga Extraordinária, por outro lado, é um filme para quando a única coisa que você deseja é desligar o cérebro após uma semana exaustiva. É para aquela noite de sexta-feira preguiçosa, onde a nostalgia por um certo tipo de aventura de gibi encontra uma execução apenas razoável, e a única exigência é ver Sean Connery tentar salvar o mundo com um bigode e muita pose, sem que você precise se importar muito com os detalhes.
Como um crítico que, no fundo, só quer ser surpreendido e desafiado, minha escolha hoje penderia sem hesitação para Blue My Mind. Ele é o tipo de obra que fica contigo muito depois dos créditos rolarem, uma jornada esteticamente ousada e emocionalmente crua que desbrava territórios inexplorados da psique adolescente. Esqueça os clichês e prepare-se para ser hipnotizado por uma das metamorfoses mais impactantes do cinema recente. É uma experiência que vale cada minuto de imersão, muito mais do que a superficialidade de um blockbuster que se esquece de si mesmo.









