Ah, que delícia de escolha: o remake de um clássico do terror que insiste em mastigar o luto de Stephen King até a última gota de desespero, ou mais um capítulo de uma saga de slasher que, a essa altura, deve estar mais cansada do que eu de ver gente correndo de psicopatas mascarados. 'Cemitério Maldito' mergulha num tom sombrio e quase existencial, com uma direção que tenta, com certa pretensão, explorar a podridão da perda e as consequências do desafio à natureza, arrastando o espectador para um poço de melancolia gótica e jumpscares pontuais. Já 'Pânico 7'... bem, 'Pânico 7' provavelmente se resume a um diretor fazendo malabarismos para reciclar clichês de gênero com uma metalinguagem que, a essa altura, já virou apenas linguagem, esperando que o público ainda ache inovador o assassino ligando para as vítimas enquanto se esconde atrás de uma porta. Um é a lentidão nauseante da inevitabilidade; o outro, a agitação previsível do déjà vu.
Para quem busca uma noite de autêntico masoquismo cinematográfico, daquele que te faz questionar as próprias escolhas e a fragilidade da vida, 'Cemitério Maldito' é a pedida perfeita. Imagine: uma noite de domingo chuvosa, você sozinho, com uma crise existencial pré-instalada e desejando um empurrãozinho para aprofundar seu desespero sobre a morte. É a trilha sonora ideal para questionar se vale a pena ter animais de estimação. 'Pânico 7', por outro lado, é para a massa. É o filme que você coloca numa sexta-feira com a galera, comendo pipoca gordurosa, esperando que o susto te faça derrubar um pouco de refrigerante na blusa nova, e o roteiro seja previsível o suficiente para você poder conversar sobre a novela enquanto o Ghostface corre pela casa. Não espere nada mais profundo do que a moral da história de 'não abra a porta para estranhos com facas'.
Considerando que meu tempo é infinitamente mais valioso do que a paciência de qualquer espectador médio, e que a perspectiva de testemunhar a sétima iteração de um conceito que já foi brilhante me soa tão entediante quanto a sétima temporada de qualquer série da Netflix, eu me inclinaria, com um suspiro de resignação, para 'Cemitério Maldito'. Pelo menos, um horror que tenta ser psicologicamente denso, mesmo que tropece, ainda oferece mais material para uma boa análise sarcástica do que a mesmice calculada de 'Pânico 7'. Entre ser deprimido por um King mal adaptado e ser entediado por um slasher genérico, prefiro a depressão. É mais autêntica.


