Ah, que dilema delicioso você me apresenta! De um lado, temos A Substância, a mais recente obra de Coralie Fargeat, que emula a estética neon-gélida de seu predecessor, 'Revenge', mas aqui submerge num body horror grotesco e satírico. É um soco no estômago revestido de glamour de Hollywood, onde a câmera de Fargeat é quase cirúrgica ao dissecar a obsessão pela juventude eterna, com Demi Moore e Margaret Qualley entregando performances que oscilam entre o desesperador e o deliciosamente profano. Já A Hora do Mal, dos irmãos Cairnes, é um mergulho nostálgico e perturbador nos anos 70, um found footage que se disfarça de transmissão televisiva ao vivo de um talk show macabro. A direção aqui é mais sutil, construindo tensão através de uma atmosfera vintage e uma atuação soberba de David Dastmalchian, que nos convence da veracidade daquele circo dos horrores, utilizando efeitos práticos que remetem à era de ouro do terror.
Para escolher o seu veneno, pense no seu estado de espírito. Se você está com uma veia crítica pulsando, talvez sentindo o peso das expectativas sociais ou a efemeridade da beleza – ou apenas com vontade de chocar-se com o quão longe a vaidade pode levar –, A Substância é o seu filme. Ele é feito para quem aprecia uma alegoria visceral, um pesadelo estético que escancara a futilidade da imagem. Mas se a sua alma clama por um terror mais clássico, atmosférico, que se infiltra sob a pele lentamente e te transporta para uma era onde a televisão ainda tinha um poder místico e um tanto perigoso, então A Hora do Mal será a sua pedida. É para a noite em que você quer sentir um arrepio na espinha e questionar o que realmente se esconde por trás das câmeras, com um toque deliciosamente retrô.
Conclusão:Dito isso, e com a certeza de que ambos são experiências cinematográficas válidas, mas com sabores bem distintos, se eu tivesse que gastar meu precioso tempo hoje, como um crítico que ainda se permite ser seduzido pela audácia e pelo impacto, minha escolha seria A Substância. Sim, ele é chocante, brutal e, por vezes, excessivo, mas há uma inteligência perversa em sua execução e uma relevância cortante em sua crítica que me fisga de uma maneira mais profunda e... bem, mais suja. Ele é o tipo de filme que se recusa a ser esquecido, que insiste em te fazer pensar e, francamente, te deixar um pouco nauseado, mas de uma forma espetacularmente catártica. Prepare-se para uma experiência que vai além do susto e se instala nos seus poros.












