Ah, a eterna batalha entre a grandiosidade e o… digamos, a ousadia. De um lado, temos "Wicked: Parte II", que não esconde suas ambições de espetáculo musical; a direção é toda focada em coreografias suntuosas, em cenários que flertam com o fantasioso mais opulento e em atuações que buscam a emoção em cada nota cantada. É uma linguagem visual vibrante, um roteiro que se debruça sobre a complexidade moral de suas protagonistas e um elenco que, para o bem ou para o mal, carrega a bagagem de uma Broadway aclamada. Já "Grimm's Snow White", bem, ele opera em uma estratosfera completamente diferente. Sua direção é mais crua, a linguagem visual se contenta com o funcional, beirando o minimalismo que beira o desinteresse, e o roteiro, bem, ele pega o conto de fadas clássico e o torce de maneiras… inesperadas, por falta de termo melhor. O elenco, coitado, parece fazer o que pode com o que lhe é dado, e o tom geral é de um filme que sabe suas limitações e, por vezes, abraça a elas com uma coragem quase ingênua. São universos cinematográficos que raramente se tocam.
Para "Wicked: Parte II", o contexto perfeito é aquele fim de semana em que a vida real está um tanto cinzenta e você precisa ser transportado. É para quando você está procurando por uma catarse musical, uma história que te faça rir, chorar e, talvez, questionar o que realmente significa ser bom ou mau. É o filme ideal para quem anseia por um mergulho em um mundo de magia deslumbrante, de emoções à flor da pele e de melodias que grudam na cabeça. Já "Grimm's Snow White"… esse é para um público mais específico. Ele é perfeito para aquela noite em que você e seus amigos estão dispostos a alugar algo excêntrico, para rir dos diálogos improváveis e da execução, digamos, peculiar. É para o estado de espírito em que você quer se desarmar de qualquer expectativa de perfeição cinematográfica e se entregar à experiência de ver um filme que tenta, com todas as suas forças limitadas, contar uma história, mesmo que o resultado seja deliciosamente desajeitado. É o tipo de filme que te lembra que existe um vasto espectro de cinema além do brilho de Hollywood, para o bem e para o mal.









