“O Morro dos Ventos Uivantes”, sob o olhar de Emerald Fennell, é uma subversão elegante e brutal do romance gótico que conhecemos. Sua direção aqui é um balé macabro de obsessão, onde cada enquadramento pulsa com uma beleza perversa, a trilha sonora comenta a psique dilacerada dos personagens e o roteiro, afiado como sempre, dissecou a toxicidade inerente à paixão de Heathcliff e Catherine com uma audácia que raramente vemos. É visceral, chocante e esteticamente deslumbrante, mas sem jamais perder a inteligência mordaz. Já “Não Entre”, de Marc Klasfeld, apesar de sua tentativa de um thriller psicológico, entrega uma experiência visualmente frenética, quase videoclíptica, que aposta mais no choque imediato e na edição picotada. Seu estilo é de impacto rápido, construindo uma atmosfera de tensão através de um design de som agressivo e uma fotografia escura que, no fim das contas, se mostra mais estilosa que substancial, com um elenco que luta para dar profundidade a um roteiro que prefere o susto ao desenvolvimento.
Se você se encontra em um estado de espírito que anseia por uma história de amor que não romantiza o sofrimento, que prefere desenterrar as raízes sombrias da paixão e da vingança, “O Morro dos Ventos Uivantes” é a sua pedida. É o filme ideal para um final de semana chuvoso, quando a introspecção se mistura com uma vontade de ser provocado intelectualmente e emocionalmente, talvez após um debate acalorado sobre a natureza humana ou em meio a um questionamento sobre os limites do amor e do ódio. Em contrapartida, “Não Entre” serve como um divertimento mais escapista. É o tipo de filme que você assiste em uma noite de terça-feira, quando o cansaço do dia pede algo que dispense grandes reflexões, uma dose pura de adrenalina para espantar o tédio sem exigir muito do seu intelecto, talvez depois de um dia exaustivo em que tudo o que você quer é um grito bem dado para liberar a tensão.








